Diploma americano no Brasil: como funciona a revalidação

Vale, depois de revalidado. O diploma de graduação de uma faculdade americana passa a valer como um diploma brasileiro quando uma universidade pública daqui o revalida. Ela precisa ter um curso reconhecido do mesmo nível e área, ou equivalente. O pedido começa na Plataforma Carolina Bori, do MEC, e a universidade tem, em regra, até 180 dias para concluir. Na medicina, a regra é outra: a revalidação depende da aprovação no Revalida, do Inep.

Este guia é para quem está no ensino médio, pensa em fazer faculdade nos EUA e quer saber o que acontece na volta. Ele resume as regras do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do MEC em vigor em 4 de outubro de 2026 e mostra quanto duas universidades federais cobram. Não é orientação jurídica: antes de pedir, leia as regras da universidade que você escolher e as informações da Plataforma Carolina Bori. Se você ainda está no começo, o passo a passo para estudar nos EUA mostra a candidatura do início.

Revisado em 4 de outubro de 2026. Vale para o ciclo 2026-27, com entrada em 2027.

Revalidação e reconhecimento: o que são e quem faz

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) separa dois processos. O diploma de graduação estrangeiro é revalidado por uma universidade pública que tenha curso do mesmo nível e área, ou equivalente. O diploma de mestrado ou de doutorado é reconhecido por uma universidade com pós-graduação reconhecida e avaliada na mesma área, em nível equivalente ou superior. As regras de hoje estão na Resolução CNE/CES nº 2, de 19 de dezembro de 2024, que vale desde 2 de janeiro de 2025 e revogou a resolução de 2022.

Dois pontos que pouca gente conhece:

  • Nem todo curso de universidade pública pode revalidar. Pela portaria do MEC, alterada em julho de 2026, só revalida o curso com Conceito Preliminar de Curso (CPC) ou Conceito de Curso (CC) igual ou superior a 3.
  • O pedido não tem data marcada. A portaria diz que ele pode ser feito a qualquer momento, e a resolução manda as universidades aceitarem pedidos em fluxo contínuo.

Como o pedido começa na Plataforma Carolina Bori

O pedido de revalidação passa pela Plataforma Carolina Bori, a plataforma on-line do MEC. Na UFMG, por exemplo, é a única forma aceita: pedido enviado por e-mail ou pelo correio é recusado sem análise. A medicina tem um caminho próprio, explicado mais abaixo. Nos outros cursos, pelas regras do MEC:

  1. Escolha a universidade e o curso. Cabe a você achar um curso similar ou equivalente ao seu. Se a universidade não tiver curso do mesmo nível ou área, o processo nem abre lá.
  2. Cadastre o pedido na plataforma. O endereço que a UFMG indica é plataformacarolinabori.mec.gov.br. Você assina um termo com declaração de autenticidade dos documentos e de exclusividade: o mesmo diploma não pode estar em análise em duas universidades ao mesmo tempo.
  3. Envie os documentos. A resolução pede cópia do diploma, o histórico escolar e o projeto pedagógico ou a matriz curricular do curso, com as ementas das disciplinas. A universidade pode pedir outros, e a lista dela fica na plataforma. Diploma e histórico vão apostilados, porque os EUA estão na lista de países da Convenção da Apostila da Haia mantida pelo CNJ. Documento em inglês não precisa de tradução, salvo se a universidade justificar a exigência em ato próprio.
  4. Espere a conferência. A universidade tem 30 dias para o exame preliminar e diz se falta algo. Se faltar, você tem até 60 dias para completar. Se ela já atingiu a capacidade de atendimento do ano, o pedido vai para uma fila de espera, e os prazos não correm enquanto ele estiver lá.
  5. Pague a taxa. O pagamento é condição para abrir o processo. Na UFMG, os prazos de análise só começam a contar depois que o pagamento é homologado.
  6. Receba o resultado. O pedido pode ser deferido, deferido em parte, com estudos complementares, ou indeferido. Se for deferido, o diploma recebe uma apostila de revalidação, e a portaria dá à universidade até 30 dias para isso depois que você entrega os originais.

Tramitação normal ou simplificada

A resolução prevê dois ritmos. Na tramitação simplificada, a universidade só confere os documentos e tem até 90 dias para concluir. Ela vale em dois casos:

  • Bolsa do governo brasileiro. Você recebeu bolsa de uma agência governamental brasileira específica para o curso que quer revalidar.
  • Curso coberto por acordo com avaliação prévia. O curso estrangeiro está listado ou admitido num acordo bilateral ou multilateral sobre diplomas, em vigor no Brasil, que preveja avaliação prévia. A resolução cita o Arcu-Sul, o sistema de acreditação de cursos do Mercosul. Segundo o Inep, participam Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. Os EUA não estão na lista.

A tramitação simplificada nunca vale para medicina. Se você se formar nos EUA sem bolsa de um órgão do governo brasileiro, conte com a tramitação normal: até 180 dias, que a universidade pode estender por até 90, com justificativa.

Quanto custa revalidar

Cada universidade fixa a própria taxa, pelo custo do processo, e informa o valor na Plataforma Carolina Bori. As duas federais abaixo publicaram seus valores em 2026. Nas duas, a taxa não volta se o pedido for negado.

Para comparar com o custo da faculdade em si, veja quanto custa estudar nos EUA.

Quando o curso americano não tem um igual no Brasil

A revalidação compara o seu curso com um curso brasileiro da mesma área. A resolução manda a universidade considerar também cursos estrangeiros com currículo ou organização diferentes dos dela. A portaria do MEC vai além: a equivalência não pode se resumir a comparar currículos e cargas horárias, e o nome do seu curso não precisa bater com o de um curso da universidade.

Na UFMG, uma comissão de professores compara as competências e habilidades do seu curso com as Diretrizes Curriculares Nacionais e com o projeto pedagógico do curso da UFMG. Se houver dúvida, a comissão pode aplicar provas, e a aprovação exige 60% em cada uma.

  • Pode haver estudos complementares. Se o seu curso cumprir só parte das exigências, a universidade pode indicar disciplinas para você cursar, até 20% da carga horária do curso brasileiro.
  • Um pedido negado ainda conta. Se negar, a universidade deve dizer se aproveitou parte do curso, para você usar depois.
  • O nome do diploma fica. O diploma revalidado mantém o grau original, e a apostila indica o grau brasileiro correspondente.

Guarde desde o primeiro ano o programa de cada disciplina, com ementa e carga horária: a matriz curricular com as ementas é um dos documentos do pedido. Se você começar por um community college, guarde também os programas de lá.

Medicina, direito e engenharia

Algumas profissões têm regra própria, além da revalidação.

  • Medicina. O Revalida tem duas etapas eliminatórias: provas escritas e uma prova de habilidades clínicas. Para se inscrever, o Inep pede, entre outros requisitos, ser brasileiro ou estrangeiro com residência legal no Brasil, ter CPF e ter um diploma de medicina de instituição reconhecida no país de origem, apostilado ou autenticado pelo consulado. Depois que você apresenta a aprovação, a universidade tem até 60 dias para concluir a revalidação, prorrogáveis por até 30.
  • Advocacia. Para se inscrever na OAB, quem se formou em direito fora do Brasil precisa provar o título estrangeiro revalidado e cumprir os demais requisitos, entre eles a aprovação no Exame de Ordem.
  • Engenharia. A lei da profissão assegura o exercício a quem tem diploma estrangeiro de engenharia revalidado e registrado no país.

Para outras profissões regulamentadas, leia a lei da profissão e consulte o conselho antes de escolher o curso nos EUA.

Mestrado e doutorado: o reconhecimento

Se você fizer mestrado ou doutorado nos EUA, o processo é o reconhecimento. A universidade brasileira precisa ter pós-graduação stricto sensu avaliada e reconhecida na mesma área, e a resolução indica o Sistema Nacional de Pós-Graduação, da Capes, para achar quais são. Quem estudou com bolsa de agência do governo brasileiro pode ter tramitação simplificada, de até 90 dias, se a universidade adotar esse procedimento. Nos outros casos, o prazo é de até 180 dias, como na graduação.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O diploma americano vale no Brasil?

Vale como um diploma brasileiro depois de revalidado, no caso da graduação, ou reconhecido, no caso do mestrado e do doutorado. A graduação é revalidada por uma universidade pública com curso do mesmo nível e área, ou equivalente.

Universidade particular pode revalidar meu diploma de graduação?

Não. A LDB e as regras do CNE e do MEC dão a revalidação de graduação às universidades públicas, e os Institutos Federais também podem. No mestrado e no doutorado, a resolução fala em universidades com pós-graduação avaliada e reconhecida na área.

Quanto tempo demora a revalidação?

Na tramitação normal, até 180 dias depois do protocolo, com até 90 de prorrogação. Na simplificada, até 90 dias. Enquanto o pedido estiver na fila de espera, esses prazos não correm.

Preciso traduzir o diploma americano?

Em regra, não. A resolução dispensa a tradução de documentos em inglês, francês e espanhol, a menos que a universidade justifique a exigência em ato próprio. Diploma e histórico vão apostilados.

Posso pedir em duas universidades ao mesmo tempo?

Não. Se a primeira negar, depois de todos os recursos dentro dela, você pode pedir em outra. Negado em duas, cabe recurso ao CNE, só por erro de fato ou de direito.

Quanto custa revalidar?

Depende da universidade. Em 2026, a UFMG cobra R$ 3.069,55 e a UFF, R$ 1.500,00. Nas duas, a taxa não volta se o pedido for negado.

Quem se forma em medicina fora do Brasil pode trabalhar aqui?

O Inep diz que o Revalida serve a quem se formou em medicina no exterior e quer atuar no Brasil. A resolução do CNE condiciona a revalidação do diploma de medicina à aprovação nas duas etapas do exame.

Fontes

Planeje a faculdade nos EUA com o Capy

O Capy, orientador com IA da bcs, monta sua lista de universidades e seu cronograma a partir do seu perfil. Comece grátis, com acesso imediato e sem cartão.

Grátis, acesso imediato, sem cartão.