School profile: o perfil da escola, com modelo para copiar

O school profile (perfil da escola) é o documento de uma ou duas páginas em que a escola explica às universidades americanas quem é, o que ensina, como dá notas e como ler o histórico. O orientador faz o upload uma vez na Common App, que anexa o perfil a cada School Report enviado pela escola. Mais de 70% das candidaturas da Common App chegam com um perfil, e as que chegam sem ele vêm mais de escolas pequenas, novas ou rurais.

Este guia é para coordenadores e orientadores de escolas brasileiras, e para famílias que querem pedir um perfil à escola. No fim, há um modelo seção por seção para copiar num documento.

Revisado em 2 de outubro de 2026. Vale para o ciclo 2026-27, com entrada em 2027.

O que é o school profile e quem lê

Quem lê o perfil é o leitor de admissão de cada universidade, que avalia o aluno no contexto da escola dele. A Common App define o perfil como um documento com dados de contexto sobre a escola: quem são os alunos, que matérias a escola oferece, o sistema de notas, os programas especiais e as políticas da escola.

  • Penn: diz que seus leitores de admissão usam o perfil para avaliar cada candidato dentro do contexto dele.
  • Harvard: o relatório da escola inclui o histórico, uma carta de recomendação e o perfil da escola, se houver.
  • MIT: pede o perfil só se a escola já tiver um. Diz que muitas escolas internacionais não têm e que a candidatura não é prejudicada sem ele.

O perfil não é obrigatório, mas poupa o leitor de adivinhar. A NACAC, associação americana de orientadores e profissionais de admissão, aponta um engano comum desde 1977: achar que a universidade já conhece a escola, o currículo e o padrão de notas dela. Segundo a associação, quase metade das universidades de quatro anos, sobretudo as mais seletivas, recalcula as médias para comparar alunos de escolas diferentes. Sem uma explicação clara das notas, a universidade pode tirar as próprias conclusões.

O que o perfil deve conter

NACAC, College Board e Common App pedem os mesmos blocos: dados da escola, contatos, currículo, sistema de notas, provas e destino dos formados. Numa escola brasileira, entram também a formatura, o Enem e o vestibular.

Como explicar as notas de 0 a 10

No suplemento internacional da Common App, o orientador informa a escala de notas da escola e a equivalência aproximada com a escala americana de A a F. O perfil é o lugar de explicar isso com calma: a escala, a nota de aprovação, a distribuição das notas e o histórico.

  • Escala e aprovação: diga que a nota vai de 0 a 10 e qual é a mínima para passar, que muda de escola para escola. No Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo, é 5. Na Embraer Juarez Wanderley, em São José dos Campos, são 60% dos pontos e 75% de frequência.
  • Média e recuperação: explique como sai a média anual (bimestres ou trimestres, pesos) e como a recuperação aparece no histórico. A LDB obriga a escola a oferecer recuperação em caso de baixo rendimento, deixa as regras para o regimento de cada escola e exige frequência mínima de 75% das horas letivas.
  • Equivalência de A a F: a NCAA publica uma tabela para notas brasileiras, abaixo, e o perfil 2026 do Miguel de Cervantes usa as mesmas faixas. Se a nota mínima da sua escola for 6 ou 7, ajuste a equivalência ao padrão da escola.
  • Distribuição: mostre quanto da turma cai em cada faixa, de preferência num gráfico. O perfil do Miguel de Cervantes mostra a turma de 2025: 7,27% entre 9 e 10, 51,82% entre 7 e 8,9 e 40,91% entre 5 e 6,9, com média geral de 6,86. É esse dado que deixa o leitor situar um 7 ou um 9 do seu aluno.
  • GPA e ranking: se a escola não calcula GPA nem ranking, escreva isso. O School Report da Common App tem as respostas "None" para ranking e "No" para GPA, e o MIT lembra que muitas escolas internacionais não calculam esses números. A Phillips Exeter Academy, nos EUA, não informa ranking, e o Miguel de Cervantes não ranqueia alunos.

O guia de GPA com notas brasileiras explica essa tabela com um exemplo. Ela não é uma conversão oficial para admissão: a NCAA a usa para decidir se um atleta pode competir. Por isso, apresente-a no perfil como equivalência aproximada, nunca como um GPA oficial.

O contexto brasileiro: formatura, Enem e vestibular

O leitor americano precisa entender, em poucas linhas, como o aluno se forma e como entra na universidade no Brasil. A NACAC recomenda que escolas de fora dos EUA incluam os exames nacionais no perfil.

  • Formatura: pela LDB, o ensino médio tem pelo menos 1.000 horas por ano, em no mínimo 200 dias letivos. Fora do ensino técnico, a Lei 14.945, de 2024, fixa ao menos 2.400 horas de formação geral básica e 600 de itinerários formativos, com implantação a partir do ano letivo de 2025. Some as exigências próprias da escola, como horas em inglês, projetos ou serviço comunitário.
  • Enem: o Inep define o Enem como a prova que avalia o desempenho no fim da educação básica. A nota dá acesso ao Sisu, que seleciona para universidades públicas, ao ProUni, ao Fies e a instituições portuguesas conveniadas.
  • Vestibular: muitas universidades têm prova própria. A USP preenche a maior parte das vagas pelo vestibular da Fuvest e também seleciona pela nota do Enem.
  • Calendário: o ano letivo brasileiro segue o ano civil, e o 3º ano termina em dezembro, depois dos prazos early, como mostra o cronograma. O School Report pergunta quando saem as notas de meio de ano e a data da formatura: deixe as duas no perfil.
  • Seus números: o Enem 2026 é em 8 e 15 de novembro, depois dos prazos de 1º de novembro, então mostre os resultados das turmas anteriores. Diga o ano e quantos alunos entram na conta: a NACAC pede que todo dado diga quando foi coletado e quem inclui.

Como enviar o perfil

O perfil vai pela Common App, junto de cada School Report, e também fica no site da escola. São seis passos, e a versão do ano deve estar pronta antes do primeiro School Report.

  1. Escreva em inglês. É a língua de quem lê. Em Stanford, por exemplo, o histórico e as cartas também precisam chegar traduzidos para o inglês.
  2. Feche em uma ou duas páginas. É o tamanho que a Common App recomenda e que a Penn descreve como o comum. O College Board prefere frente e verso de uma folha, em papel fosco e tinta escura sobre fundo claro, para facilitar a digitalização. Coloque o nome da escola em todas as páginas.
  3. Faça o upload na Common App. O orientador sobe o perfil na seção de perfil do Recommender System, ou na plataforma integrada à Common App que a escola já usa. A Common App anexa o perfil a cada School Report.
  4. Envie também fora da Common App. No MIT, que tem formulário próprio, o orientador envia o perfil com o histórico pelo formulário da escola do MIT.
  5. Publique no site da escola. Deixe o link na página principal e use um nome de arquivo fácil de achar numa busca, como school-profile-2026-27.
  6. Atualize todo ano. Garanta que todos os orientadores usem a mesma versão e informem os mesmos dados.

Se a escola ainda não tem código CEEB, peça pelo portal de códigos do College Board. O College Board estima de 7 a 10 dias úteis, e pedidos de escolas internacionais podem demorar mais.

Erros comuns

A NACAC reúne estes tropeços, apontados por leitores de admissão, e a Common App acrescenta os dois últimos da lista.

  • Supor que a universidade conhece a escola. Explique o básico, mesmo o que parece óbvio no Brasil.
  • Escala de notas escondida ou mal explicada. Explique a escala no próprio perfil, num lugar fácil de achar.
  • Texto corrido. Use seções, tópicos e gráficos, em vez de parágrafos longos.
  • Folheto de propaganda. Liste destaques, e não todas as conquistas e atividades da escola.
  • Todas as aprovações dos últimos cinco anos. Mostre as universidades de um período recente.
  • Dados velhos ou sem data. Diga de que ano é cada número e quem entra na conta.
  • Nomes sem contato. Cada orientador precisa de e-mail e telefone.
  • Perfil difícil de achar. Nada de perfil dividido em vários arquivos ou de link quebrado no site.
  • Link que não dá para clicar. O leitor pode não conseguir clicar num link do PDF: use um link curto ou um QR code.
  • Versões diferentes. O perfil não pode contradizer o School Report nem mudar de um orientador para outro.

Para alunos e famílias: como pedir à escola

O perfil é da escola: quem envia é o orientador, não o aluno. Se a sua escola não tem um, não entre em pânico: o MIT, por exemplo, diz que a candidatura não é prejudicada sem ele. Mesmo assim, vale levar este guia à coordenação com antecedência e pedir o perfil junto com o School Report.

Se a escola não tem orientador, quem cuida do seu histórico pode fazer esse papel na Common App, como explica o guia de cartas de recomendação. O que mais a escola envia está no guia da Common App.

Modelo de school profile para copiar

Copie as seções abaixo num documento e preencha com os dados da sua escola. Os rótulos em negrito já estão em inglês, a língua do perfil, e a ordem segue a sequência que a NACAC recomenda.

1. Cabeçalho e contatos

  • School name, address, website: nome oficial, endereço completo e site.
  • CEEB code: o código da escola no College Board.
  • Head of school: nome, cargo e e-mail da direção.
  • College counseling: nome, e-mail e telefone com código do país (+55) de cada orientador, e as turmas que cada um atende.
  • Profile year: o ano letivo dos dados, por exemplo 2026-27.

2. Dados da escola

  • School type and grades: particular, bilíngue ou internacional, laica ou confessional, e as séries atendidas.
  • Enrollment: total de alunos, alunos do ensino médio e tamanho da turma de formandos.
  • Ratios: alunos por professor e por orientador.
  • Accreditation: credenciamentos e redes de que a escola faz parte.
  • Mission and community: duas ou três linhas sobre a missão, a cidade e quem são os alunos.

3. Currículo

  • Brazilian curriculum: ensino médio de três anos, formação geral básica e os itinerários formativos que a escola oferece.
  • Bilingual or international program: como funciona, quantas horas em inglês, quem participa e que certificação dá, como IB ou Cambridge.
  • Advanced courses: quantos cursos IB, AP, honors ou Cambridge a escola oferece, se são abertos a todos e se há limite por ano. Se não oferece AP, diga por quê e o que oferece no lugar.
  • Multiple tracks: se a escola tem mais de um currículo, mostre-os lado a lado.
  • Graduation requirements: carga horária, frequência mínima de 75% e as exigências próprias da escola.

4. Notas e histórico

  • Grading scale: notas de 0 a 10, nota mínima de aprovação e como sai a média anual.
  • Approximate US equivalent: a tabela abaixo, ajustada à sua nota de aprovação.
  • Grade distribution: a parcela da última turma de formandos em cada faixa, com o ano.
  • GPA and class rank: se a escola não calcula, escreva "The school does not calculate a GPA or rank its students". Se calcula, explique como.
  • Recuperação and failed courses: como a recuperação e as reprovações aparecem no histórico.
  • Transcript key: o que significa cada coluna e sigla do histórico, como carga horária, frequência e conceitos.

5. Provas

  • SAT and ACT: a faixa dos 50% do meio e quantos alunos fizeram, se houver.
  • English tests: TOEFL, IELTS ou outros, com quantos alunos fizeram e a faixa de resultados.
  • IB or AP results: média ou distribuição, se a escola oferece.
  • Enem: a média da escola e quantos alunos fizeram, com o ano, e uma linha sobre o que é o Enem.

6. Contexto brasileiro

  • University admission in Brazil: uma ou duas linhas sobre o Enem, o Sisu e os vestibulares, como a Fuvest na USP.
  • School calendar: início e fim do ano letivo, bimestres ou trimestres, quando saem as notas do 1º semestre do 3º ano e a data da formatura.
  • Recent changes: mudanças recentes no currículo, nas notas ou no calendário, como a implantação do novo ensino médio.

7. Destino dos formados

  • College-going rate: a parcela da última turma que entrou no ensino superior, no Brasil e no exterior.
  • Recent destinations: universidades em que os formados dos últimos anos se matricularam, inclusive as brasileiras.

8. Além da sala de aula

  • Highlights: poucos destaques de atividades, prêmios ou programas, e não a lista inteira.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O que é o school profile?

Um documento de uma ou duas páginas em que a escola explica às universidades americanas quem é, o que ensina e como dá notas. A Common App o anexa a cada School Report.

Quem envia o school profile?

O orientador ou outro responsável da escola, pela Common App. O aluno não envia.

Sem school profile, o aluno é prejudicado?

O MIT diz que não: muitas escolas internacionais não têm perfil, e a candidatura não perde por isso. O perfil ajuda o leitor a entender as notas e o currículo, e mais de 70% das candidaturas da Common App chegam com um.

Quantas páginas o perfil deve ter?

Uma ou duas, como recomenda a Common App e descreve a Penn. O College Board prefere frente e verso de uma folha.

Preciso converter as notas para GPA no perfil?

Não. Explique a escala de 0 a 10 e dê a equivalência aproximada de A a F, que o suplemento internacional da Common App pede. Se a escola não calcula GPA nem ranking, diga isso.

E se a escola não tem código CEEB?

Peça pelo portal de códigos do College Board. O prazo estimado é de 7 a 10 dias úteis, e pedidos de escolas internacionais podem demorar mais.

Preciso colocar o Enem no perfil?

A NACAC recomenda que escolas de fora dos EUA incluam os exames nacionais. Informe a média da escola e o ano, com uma linha sobre o que é o Enem.

Fontes

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O Capy, orientador com IA da bcs, organiza a lista, os textos e os prazos de cada aluno, e o orientador da escola ganha mais tempo para o que só ele pode fazer, como o perfil e o School Report. Escolas e redes de ensino também podem oferecer o Capy a todos os alunos com uma única licença: fale com a bcs e marque uma intro de 20 minutos. Se você é aluno ou responsável, comece grátis, com acesso imediato.

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