O que o cônsul precisa decidir
A seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA presume que quem pede visto, inclusive o estudante de F-1, é imigrante até mostrar ao oficial consular que se qualifica para um visto temporário. O manual do Departamento de Estado para os oficiais consulares acrescenta que o ônus da prova é seu: se o oficial não se convencer, você não é elegível.
Para o F-1, o manual lista cinco pontos sobre os quais o oficial precisa estar convencido:
- Aceite. Uma escola aceitou você, como mostra o formulário I-20.
- Estudo como objetivo. Você vai aos EUA só para fazer um curso em tempo integral.
- Intenção de sair. Você pretende, hoje, sair dos EUA quando o curso terminar.
- Dinheiro. Você tem recursos suficientes para as despesas.
- Preparo. Você está preparado para o curso.
Se o oficial não se convencer de qualquer um deles, a recusa é pela seção 214(b).
Vínculos, do jeito que as regras descrevem para estudantes
O manual manda olhar o estudante de um jeito diferente dos outros visitantes. Estudantes em geral não têm os vínculos econômicos e sociais fortes de quem é mais velho e planejam ficar mais tempo, e a lei parte do princípio de que ser estudante não desqualifica ninguém. O que conta é a sua intenção hoje, não o que você poderia fazer depois de anos nos EUA.
- Morar com os pais conta. É uma residência fora dos EUA, desde que o oficial se convença de que você pretende sair do país depois do curso.
- Planos mudam. O fato de a sua intenção poder mudar não é motivo para negar o visto.
- O que importa é sair dos EUA. A intenção de partir não obriga você a voltar ao país do seu passaporte. Significa só que você pretende deixar os EUA quando terminar.
- Ninguém espera um plano de longo prazo. A maioria dos candidatos é jovem, e o manual diz que eles podem não conseguir explicar por completo o que vão fazer depois do curso.
- Perfil não é motivo. Ser jovem ou solteiro não é motivo para recusa. Uma recusa pela 214(b) precisa se basear nas suas circunstâncias.
- A área é escolha sua. Um curso que pareça pouco útil no Brasil, ou que também exista aqui, não é motivo para negar o visto de estudante.
Dinheiro
O oficial precisa se convencer de que você consegue estudar sem depender de trabalho não autorizado. Você precisa de provas de que há, ou haverá, recursos para o curso inteiro, e de dinheiro disponível para cobrir o primeiro ano.
- O que pode contar: recursos próprios ou da família, bolsas, assistantships, fellowships, trabalho autorizado no campus e um empréstimo estudantil que você já tem.
- O que não conta para o primeiro ano: um empréstimo que você só pretende pedir, ou o plano de pagar com trabalho em CPT ou OPT.
- Os anos seguintes: o dinheiro precisa vir da mesma fonte, ou de outras fontes específicas e confiáveis.
- Patrocinador: o oficial precisa se convencer de que quem paga tem condições e motivos para continuar pagando. O manual diz que o compromisso de um parente próximo pode ter mais chance de ser cumprido.
Quanto custa um ano em cada tipo de universidade está no guia de custos, e como a bolsa reduz a conta, no guia de bolsas.
Preparo acadêmico e inglês
O I-20 é a prova de que a escola aceitou você, e em geral o oficial não deve rever essa decisão. Ele não faz papel de orientador nem de admissão. Ele não pode exigir nota de SAT ou ACT nem média mínima. O manual diz que a escolha da escola importa bem menos que o motivo da escolha: uma universidade pouco conhecida não é motivo para recusa, e começar num community college e depois se transferir é um plano comum.
Segundo a Missão dos EUA no Brasil, quem fala português ou inglês não terá dificuldade na entrevista, e quem não fala nenhum dos dois pode levar um intérprete. O inglês só é avaliado quando o seu I-20 diz que ele é exigido para o curso e a escola não organizou aulas de inglês para você. Nesse caso, o oficial precisa fazer a entrevista em inglês e pode pedir que você leia em voz alta um trecho de livro, revista ou jornal, ou as condições do I-20, e explique com suas palavras. Se a escola aceitou você com nota de TOEFL, IELTS ou outro teste, o oficial não pode rever essa decisão, salvo suspeita de fraude. As notas que as universidades pedem estão no guia dos testes de inglês.
Os temas das perguntas
Não encontramos lista de perguntas de exemplo nas páginas oficiais que conferimos, do Departamento de Estado, da Missão dos EUA no Brasil e do EducationUSA. Por isso, este guia lista temas, não perguntas. O EducationUSA, a rede de orientação do Departamento de Estado, dá uma dica: como a entrevista é curta, explique por que você quer estudar nos EUA, como vai se manter durante o curso e o que pretende fazer quando terminar.
| Tema | O que as regras dizem |
|---|---|
| Por que estudar nos EUA, e por que nessa escola | Você precisa ir só para estudar. O motivo da escolha importa mais que o nome da escola |
| Como você vai pagar | Dinheiro disponível para o primeiro ano e fontes específicas e confiáveis para os seguintes |
| O que você vai fazer depois do curso | O oficial avalia a sua intenção hoje de sair dos EUA. Ninguém espera um plano de longo prazo |
| Seu preparo acadêmico | Seus estudos anteriores devem equivaler ao que se pede de um aluno americano no mesmo nível. O oficial não pode exigir nota de teste nem média mínima |
| Seu inglês, só se o I-20 exigir | A entrevista é em inglês, e você pode ter de ler e explicar um trecho |
A declaração de atendimento da Missão dos EUA no Brasil diz o que se espera de você: planejar cedo, preencher o pedido completo e correto, ser aberto sobre seus propósitos e planos e se preparar para descrever com clareza e de forma concisa as suas intenções. Ela também promete lembrar que a entrevista pode ser nova ou intimidadora e que você pode estar tenso. E diz que, para estudantes, a Missão fará todos os esforços para que você consiga a entrevista e, se qualificado, o visto a tempo do início das aulas.
Antes da entrevista: agendamento, CASV e DS-160
- Sem dispensa de entrevista. O Programa de Isenção de Entrevista do Brasil só cobre a renovação de vistos B1/B2 ou H-2A, e ainda com outras condições. O F-1 não está na lista, então você vai à entrevista.
- Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Na primeira vez, são dois agendamentos. Primeiro o CASV, o Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto, onde coletam suas digitais e tiram sua foto, pelo menos um dia antes da entrevista. Depois a entrevista com o oficial consular, na Embaixada ou no Consulado.
- Porto Alegre e Recife. Esses consulados não usam CASV. Há um só agendamento, no Consulado, para a coleta dos dados biométricos e a entrevista. Leve uma foto impressa.
- O mesmo DS-160. O código de barras do DS-160 (que começa com "AA") precisa ser o mesmo do agendamento. Você pode corrigir o número uma única vez, até três dias úteis antes da entrevista. Se chegar com outro código, não será atendido.
- Redes sociais. Quem pede F-1 deve deixar todos os perfis de redes sociais públicos.
- Passagens. Não compre passagem não reembolsável antes de receber o passaporte com o visto.
- Se as aulas começam antes da data. O consulado pode antecipar a entrevista em situação urgente e imprevista, como o início das aulas, com comprovante. Antes, você preenche o DS-160, paga a taxa e marca a primeira data disponível. Depois, na sua conta, escolhe "Solicitar Agendamento Emergencial". A decisão é do consulado. O agendamento de emergência pago, de US$ 750, é só para visto de turismo e negócios (B).
O que levar
O site oficial de agendamento no Brasil lista estes documentos para o F-1. Leve os originais.
- Passaporte válido. Brasileiros estão isentos da regra dos seis meses: basta o passaporte valer pelo período da estadia
- Passaporte com o último visto americano, se você tiver
- Página de confirmação do DS-160
- Página de confirmação e instruções do agendamento, impressa
- Formulário I-20 assinado por você e pela escola
- Recibo da taxa SEVIS I-901, que você pode imprimir a qualquer momento em fmjfee.com
- Em Porto Alegre e Recife, uma foto colorida impressa de 5 x 5 cm, tirada nos últimos seis meses, com fundo branco
Na entrevista, o oficial pode pedir também provas do propósito da viagem, da intenção de sair dos EUA depois e de que você pode pagar todos os custos. Se outra pessoa paga, leve provas de que ela vai pagar. Pague a taxa SEVIS antes da entrevista: o oficial confere o pagamento, e quem não consegue mostrar que pagou é recusado pela seção 221(g). As taxas atuais estão no guia do visto F-1.
Se você é menor de idade e vai à entrevista sem os pais, a Missão diz que é pertinente levar o passaporte deles com o visto americano.
No dia
- Quem entra. Em geral, só entra na Seção Consular quem tem agendamento. Pais ou responsáveis legais podem acompanhar menores.
- O que você pode levar. Celular, smartwatch, tablet, laptop e outros aparelhos eletrônicos não entram, nem bolsas maiores que uma bolsa pequena. A Embaixada e os Consulados não têm onde guardar esses itens.
- Quem decide. O oficial consular avalia o seu pedido na entrevista e decide se você se qualifica.
Depois da entrevista
Se o visto for aprovado
O visto volta pelo CASV: você escolhe receber pelos Correios ou buscar no CASV mais próximo, que guarda o documento por só 30 dias. Você pode mudar o local de entrega até 24 horas antes da entrevista. Ao receber, confira os dados: se houver erro, leve o passaporte ao CASV onde o processo começou, sem agendamento.
O visto permite viajar até um ponto de entrada dos EUA e pedir a entrada. Ele não garante a entrada: quem decide são os oficiais de imigração da CBP. A data de validade do visto é o último dia em que você pode chegar a um ponto de entrada. O oficial consular devolve o I-20 com as provas financeiras, para você mostrá-los na chegada.
Se você receber um 221(g)
A Missão chama de documentação pendente. O oficial precisa de mais informações para decidir, e o visto fica recusado pela seção 221(g). Isso não quer dizer recusa permanente: faltam etapas antes da decisão final, e você fica sabendo na entrevista como entregar o que falta. Você não paga a taxa do visto de novo. Só envie documentos se receber carta ou e-mail com instruções e a lista do que mandar. Pedidos que precisam de processo administrativo também recebem um 221(g), e você é avisado na entrevista. Pela lei, um 221(g) é uma recusa, mesmo quando superado depois. Você acompanha o pedido em ceac.state.gov.
Se você for recusado pela 214(b)
O oficial entrega uma carta e precisa explicar o motivo. A decisão não pode ser revista nem contestada, mas não é permanente. Você pode pedir de novo a qualquer momento, com novo DS-160, nova taxa e nova entrevista. A taxa paga não é devolvida. Leve informações que não apresentou da primeira vez, ou mostre o que mudou desde o primeiro pedido. A Missão sugere considerar esperar até as suas circunstâncias mudarem.
